sábado, 26 de fevereiro de 2005

CONTO DA POBRE GAROTA PRETA LOIRINHA BOMBRIL LISBOETA

Eis-me aqui, a pobre preta garota negra, que corre nesses belos verdes floridos, secos de uma humidade infinita.

Jogo meus longos cabelos crespos que cuja chapa quente me puxo a esticar aos ventos parados do mar do Atlântico da pequena cidade de Lisboa.

Meu pai, rico senhor de navios negreiros que passa o dia sentado em pé em sua poltrona vendo suas fazendas de café, as quais tiram os cacaus para entorpecer os vinhos ali feitos pelos pés.

Eis-me aqui, linda e loira que corro eu, de Wellatons mil, que descanso a olhar para o lindo céu sem nuvens, que vejo duma forma tão peculiar. Acordo-me ruiva, de cabelos tão pretos de ébano que estão curtos devido às ovelhas do meu pai, as quais não dizem mais muuuu...

Ó, linda Lisboa, vou-me para o Brasil, pois não aguento mais tanto fado, que o fado um fardo já virou; tomarei de meu pai um dos seus navios cargueiros e aportarei numa linda favela chamada Rio, cujas belas formas de montes de peitos murchos me lembram chuchu.

Lá todos são felizes apesar duma peste negra duma turberculose chamada Aids.

Ah... meu pai! Enche-me os meus olhos próprios meus d'água em pensar que deixar-lhe-ei aqui só, sozinho, solitário consigo mesmo, em sua grande mansão de quatro cómodos no centro de Lisboa que porventura chamamos quitenetes.

Partirei... mas nunca deixarei de pensar em Lisboa, em meu pai e em minha herança.

Luciano Sabino escreveu, com olhos mareados.

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