quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

QUARTA-FEIRA, TRÊS DA TARDE

Uma mulher louca, correndo na rua, gritava "socorro, segurem minhas calças!". Tudo é muito previsível e, em algum ponto do seu percurso, a mulher cansou-se e começou uma aglomeração em torno dela. Desesperada, ficou rodopiando velozmente para despistar a atenção, o que só fez juntar mais gente perto de si. A mulher parou e pôs as mãos na cabeça.. o seu mundo já não era o mesmo desde 1993.

Então suas calças caíram e tudo começou a fazer sentido aos espectadores: a mulher era portadora de tatuagens enormes nas duas pernas, as quais foram feitas em 1993, em forma de fogo, como se queimassem as pernas da infeliz e ela, em sua loucura, pensava ser realmente fogo.. ela não lembra que foram tatuagens que o seu próprio ex-namorado mandou-a fazer porque a acusava de ser frígida e a tatuagem poderia dar algum auxílio psicológico à situação.

Ele, conforme pode-se atestar, também sofria de certo distúrbio mental. Mas somente ele sabia apagar o fogo dela, e ele suicidara-se três meses atrás quando descobriu que era hermafrodita; possuía os órgãos internos de uma mulher, o que o impossibilitava de realizar o ato sexual. Desde que recebeu a notícia da sua morte, a mulher corre louca a cidade inteira.

Os transeuntes, mesmo já acostumados à situação, não cansam de sempre se ajuntarem para rir do suplício da pobre mulher torturada. Já outros se compadecem e tentam acalmá-la: "cicatrizes de acne são mais difíceis de apagar do que tatuagens.."

Mas ela já não escuta bem, ensurdecida dos seus próprios gritos, noite e dia.

Mark Tindo e Danina Fromer escreveram e desistiram de fazer as tatuagens agendadas para quarta-feira próxima.

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