quinta-feira, 10 de março de 2005

A TRISTE HISTÓRIA DE TÂNIA, A INSTANTÂNEA

Tânia, a instantânea, podia dar um real, mas não dava cabimento a gari que chegasse perguntando "vem sempre aqui?". Não tinha dó mesmo, mandava ficar de pé para lhe dirigir a palavra; afinal, não lhe devia nada. Tinha um segredo: achava que merecia mais do que cinco centavos.

Não dizia piu, até acenava sorridente, andava no cruza-e-quebra, jogava o cabelo, mas não batia na bunda porque dava estria. Se bem que precisava substituir alguns alimentos, diminuir a quantidade de gordura...

Atacada por um cão (que matou mil e mata mais dez) foi vítima do vestido, todo descosturado. Quis subir na mesa, fazer a linha, dar um espetáculo, mas não estava toda trabalhada no óleo paixão para peles morenas e bronzeadas, nem depilada na cera quente. Toda obrada de emoção, deitou no chão e chorou.

E assim, aomilhada, caiu muito no conceito dos amigos. Mas isso não quer dizer nada, só se encontra procurando; é o que ela pensa. Mas todos pensam o mesmo que ela. O problema é que ela o fala. Mas para que tudo isso, se o futuro é mesmo a morte?

Resumo: veio uma velha safada, roubou seu macho, deu-lhe um chá e jogou-a num obrigo.

Mark Tindo só quer vida boa.

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