domingo, 10 de julho de 2005

CLASSIFICADO

Quem quer este coração, pequeno, abandonado, ainda na caixa, tão cheio de ideias rebeldes, de hesitações, de arrependimentos? Quem lhe fará o mal de fazer crer uma outra vez no amor?
Um coração que se pega, que se vende, que se dá. Um pouco cansado, um pouco ferido, um pouco quebrado. Coração em pó, em pedra, em compota. Em pedaços, em fatias, em garrafas.
Por muito ele amou, e muito amou, e cantou, e bateu, por um amor deixado, partido, roubado. Ele teve, sim, mais do que ninguém, a felicidade, o cotidiano, cada segundo, o choro silencioso, o sofrimento eterno, o mundo em si.
Ofereço este coração perdido que não amará nunca mais, nem tão pouco.