sábado, 15 de abril de 2006

REMINISCÊNCIA Nº 2

Peço-te que não me deixes deixar-te o meu coração que não mais soa que o turbulento ronronar das minhas vísceras ao te encontrar de encontro a um solstício de meio Verão quando não haverá mais medo).

terça-feira, 11 de abril de 2006

O REI E GILMÁRCIA

E levantou-se um rei que não conhecia Gilmárcia. Ora, Gilmárcia que era a mais astuta dentre os seus, dizia: subirei ao céu; acima das estrelas exaltarei o meu trono; subirei acima das alturas das nuvens e serei semelhante ao rei. Mas Gilmárcia não tinha parecer nem formosura e, olhando nós para ela, nenhuma beleza víamos para que a desejássemos. Disse Gilmárcia: Eu sou negra, mas formosa. E os filhos da sua mãe indignaram-se contra ela.

E Gilmárcia concebeu e deu à luz um filho. E vendo Gilmárcia que era formoso e agradável aos olhos, tomou o menino e escondeu-o três meses. Não podendo porém escondê-lo por mais tempo, disse: levantar-me-ei, e irei ter com o rei e dir-lhe-ei: Conjuro-vos que não desperteis nem acordeis o meu filho, até que ele o queira.

Respondeu o rei dizendo: Quem é esta? A uma égua dos carros de Faraó eu te comparo. Respondeu-lhe pois Gilmárcia, dizendo: Não repareis em eu ser negra, porque o sol olhou para mim.

Disse-lhe o rei: se não o sabes, ó tu, a mais formosa entre as mulheres, Formosas são as tuas faces entre as tuas tranças, e formoso o teu pescoço com os colares. E Gilmárcia, lançou o menino ao chão e disse ao rei: eis que tudo o que ele tem está no teu poder; somente contra ele não estendas a tua mão. O rei viu a criança, e eis que o menino chorava; então ele teve compaixão dele, e disse: Este é o meu filho amado, em quem me comprazo.

E ao sétimo dia, o rei, estando já o seu coração alegre do vinho, mandou que introduzissem à presença do rei o menino, com a coroa real, para mostrar aos povos e aos príncipes a sua formosura, pois era formosíssimo.

O menino porém recusou atender à ordem do rei, pelo que o rei muito se enfureceu, e se inflamou de ira. Disse pois o rei: quem te constituiu a ti príncipe e juiz sobre nós? Maldito sejas tu, servo dos servos, e o fruto do teu ventre.

E ouvindo-o ele, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta.

E lançando a sua coroa diante do trono, retirou-se e foi-se enforcar.

Mark Tindo ainda procura a moral da história.