quinta-feira, 6 de julho de 2006

O TINDO PELO NÃO-TINDO

(ou Mas se Eu Nunca..)

Eu nunca disse a verdade, e quiçá nunca quis dizer. Nunca fugi, nunca enfrentei as memórias de vidas que eu nunca vivi, as almas e os corações que eu tento esconder, os pelos nas partes que eu nunca rapei, as comichões inexistentes que eu cocei e cocei por vergonha na outra face que eu não virei e das segundas milhas que eu nem andei, por causa de segredos recônditos em amantes não-amados e camisas de lugares em que jamais estive onde há imagens minhas que eu ainda não vi. Nos armários, roupeiros e vestires trancados que eu nunca limpei (por medo de monstros e demônios lá dentro), sempre houve opções e escolhas que eu não fiz e resultados obtidos que eu não quis, preferindo sinais e sentimentos que nunca surgiram e dons divinos que eu nunca demonstrei. Porque no fim, é tudo mascarado. Sem perguntas feitas, nem respostas dadas.

Mark Tindo não tem mais nada a declarar.

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