domingo, 10 de setembro de 2006

OS DOCINHOS DE CHUVA

Sabes eu lembro os docinhos de chuva, que um dia vieram a te perfazer a prova cabal das tuas visões acerca dos outros, quando aos quinze, em cima do telhado, pelo bom gosto por porcelana e cores, tudo te fazia uma ilha de idiossincrasia inaceitável.

A tua fada-madrinha deve ter trazido uma varinha quebrada, pra tua meia-noite chegar assim tão cedo, a tua equação estava errada, e não era resolvível pelos meios disponíveis e tu descobriste, do pior jeito possível, quão difícil é ser homem, na qualidade de amar outro.

Sei que é porque tinhas vergonha e achavas vil, que a tua primeira atitude foi negares-te. Mas a vida é assim e a gente tem que aturar e trabalhar com o que se nos dá. E escondendo-te da chuva, perdeste de vista o fato de que não eras diferente: mas especial.

Os lençóis eram o teu escudo do mundo exterior, o qual não tinhas bravura suficiente pra enfrentar nem encarar a ideia de que o teu primeiro amor não era belo, mas sujo, e que as coisas que querias dizer ele não podia ouvir e como era confuso que algo tão bom pudesse trazer consigo um estado de espírito tão baixo.. porque choravas, e sabias porquê e não o podias dizer a quem perguntasse, porque mal eras a ti mesmo. E não conseguias ser ninguém mais.

Os docinhos eram cada vez mais amargos, a chuva cada vez mais ácida, e te sentias aleijado, uma criatura abjeta, um réptil sem membros, envenenado com a própria peçonha, preocupado com o futuro próximo, perdendo aos poucos a luz do teu coração. E a perfeição que és.

Mark Tindo lembra de tudo.

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