quinta-feira, 21 de setembro de 2006

[SEM TÍTULO]

Mas pela graça de Deus, chorou todas as suas lágrimas, copiosas do sangue que lhe macula e nunca alveja a alma, irreconhecível de tão moída. Chorou até dormir, e dormiu pacificamente, porque a graça Sua é algo a dirimir e redimir da escuridão que quase sempre nos anda à roda, à espreita, que nos faz sentir tão diminutos e abandonados dentro de nós mesmos, mesmo cercados por tantos outros. Mas nunca, nunca estará só, por mais que a esperança se lhe espedaçe irremediavelmente em espelhos de anos a fio de azar; não estará só enquanto eu puder achar um jeito de recolher as suas lascas e delas fazer renascer, brilhante e fulgurante, resplandecente num novo céu, não neste mundo de onde somos e viemos, mas num outro, de onde somos e pra onde vamos. E eu sei que, quando dormir desta vez, nunca mais há de chorar.

Mark Tindo velou por toda a noite.

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