sexta-feira, 13 de outubro de 2006

O PORCO

E dispara, mais rápido do que ouvido, trovejando verbos sulfúricos a jamais serem traduzidos, que contam duma Páscoa ímpia, um dia como qualquer outro, sacrificado e desperdiçado pela noite que caía ameaçadora como o seu último medo, nessa atmosfera de lua cheia e ainda assim crescente.

Agora o porco fora pego, mais cedo do que ciente ou esperado, e alto ele geme, a cambalear como manco, até parar. Ferido, abatido, ele tropeça pela derradeira vez, lacerado o coração.

Jorrando o sangue que se derrama e mistura à lama e à imundície que ele portava, na sua dor, que tanto odiava, o seu tenebroso pecado o porco finalmente lavou.

Do triunfo, o porco agoniza e o seu último grito é lancinante. A sua natureza ascende no fumo que se espalha, pingando gordura e ecoando o seu suspiro final como seu próprio canto fúnebre.

Redimido pelo chumbo, o porco morreu. E o mundo nunca mais será o mesmo.

Mark Tindo.

2 comentários:

Claire disse...

É outubro...
E as pessoas ainda culpam agosto...

Pobre do porco, derrama o sangue que se mistura à lama, pobre do porco...

Beijo.

Anónimo disse...

eh que eu fiz uma sauna...