domingo, 1 de outubro de 2006

OUTUBRANTE

Outubro aproxima-se e o tempo ainda me corrói com memórias esvanecentes, avejando-me como setas, que dão espaço à santidade mas permitem-me à insanidade, em me destruindo de ofícios, polidez, soluções temporárias, setas que bebem o meu sangue e roem os meus ossos, cujo veneno me infeta de sonhos e visões que quase sempre não quero, mas que me possuem.

Indefeso que sou, desprotegido, começo a sentir fincarem os dentes nunca satisfeitos de Outubro, gélidos e lancinantes, e eu temo. Mas nem por isso. Disseram-me que tendo a iluminado. Mas dizem-me tanta coisa.. Sou dextro, mas pouco hábil e disso tenho certeza, ainda que pouca. Estou mais para celta do que para godo, e ainda temo. Não pelo futuro, jamais. Temo pelo presente, por Outubro, sempre presente, que bate à porta e se convida a entrar e entra. Passo a passo. Lento. Inclemente.

Respiram-se no ar os ventos do futuro (num secreto bater de asas), custódios de boas novas aos ouvidos dos sensíveis de coração. São as vésperas das festas, o tempo dos milagres, quando tudo deve renascer. Mas algo o precede, porque pra isso se precisa matá-lo.

É Outubro que chega. É o meu tempo de ser coroado rei dos tolos pela máscara mais incrivelmente bizarra de todas, que é a que porto eu. Já ouço os gritos, a aclamação estupefata, os parabéns. Mal sabem que esta máscara desprezível já é a única face que eu tenho.

Mark Tindo, quando quis separar-se do esqueleto que abraçava, desfez-se em poeira.

3 comentários:

Mama disse...

Adorei a mensagem...ainda mais pq nem me lembrava que já estamos em outubro!!!rsrss
Adorei o fim da mesnsagem!!! Vc pretende fazer um livro? Eu apoio...
Té mais

Claire disse...

Tenham medo, tenham muito medo...

Sem nada a dizer sobre Outubro. Mas boa sorte.

Beijo.

Ve Barbosa disse...

Nossa... quando eu crescer eu posso escrever tão bem quanto vc, tio?

Beijos filho...