terça-feira, 28 de novembro de 2006

CIDADE INFERNAL

Sabes, o sol nos teus olhos não é como o sol dos teus olhos. É como furacões ou chuvas, que escurecem os céus e não te deixam ver tudo como realmente é, nem onde é.

Eu sei que Fortuna te trouxe até aqui, mas temo pelo fim que te podem dar essas Moiras viciosas e cruéis, sagazes, pias e más que te sopram ódio e caos num vento frio que te corta por dentro e por fora, até te veres ao revés perdendo os dedos com os anéis, até não seres quem és mais e esta cidade te debulhar desde as tuas próprias crenças.

Eu sei que também parece que essa mesma sorte te abandonou a meio caminho, num vale sombrio onde já não te deixou destinos maiores a traçar, ou amores cósmicos a partilhar, nem nada a encontrar que se possa realmente achar, porque com tudo o que já passou, parece que a estranha és sempre tu, a culpa sempre tua, e de repente sozinha, pobre e nua numa cidade infernal.

Mas lembra a mulher de Ló e nunca olhes pra trás.

Sabes, tu podes andar sob e sobre o chão em toda e cada direção e nada aqui te pode perturbar, porque quando tudo já ruiu, recolhes os pedaços do chão e mostras a essa cidade vil algo de belo e de bom.

Mas quando já não houver mais sol, nem chuva, podes ouvir minha canção na torpe escuridão do céu dessa cidade infernal.

Mark Tindo pede perdão por ser menino, quando és tão mais.

1 comentário:

Anónimo disse...

owu menino lindo mãe!!!!


/piu - the original.

recuse imitações