terça-feira, 7 de novembro de 2006

FINAL ALTERNATIVO Nº 2

Impaciente com as tentativas mal-sucedidas de Jerônimo em abrir a garrafa, Filadélfia puxou-a das mãos do seu amado, dizendo-lhe que daria um jeito. Não hesitou: arremessou o vidro contra uma das paredes da nave. Para a surpresa de ambos os viajantes espaciais, a garrafa não quebrou, nem sequer apresentou um só sinal de rachadura, conforme puderam verificar quando o objeto rolou de volta, achegando-se novamente a eles.

Intrigado com esta estranha reação da garrafa, Jerônimo, já não pensando em abri-la, abaixou-se e se deteve um pouco para analisar o achado com maior cautela. Porém, tão breve o tocou com a ponta dos seus longos dedos hábeis, o estranho objeto pareceu mexer-se por si mesmo. Assombrados, Jerônimo e Filadélfia recuaram. A tensão daquele momento já se podia sentir no ar, que lhes parecia grosso o suficiente para cortar com uma faca. Entreolharam-se, abismados.

Súbito, sem lhes dar tempo de sequer pensar, a garrafa saltou. Sim, o objeto fez um movimento na direção de Jerônimo, que, surpreendido indefeso, tentou evitar, vazando da trajetória do salto da criatura. Criatura, sim, porque decerto uma garrafa não seria capaz de se mover, nem teria a índole de atacar um navegador espacial inocente. Mas foi debalde: com a garganta cortada, Jerônimo sentiu o sangue quente que escorria pelo seu peito abaixo. Com uma mão tentando estancar o ferimento, fez com a outra um último movimento, enquanto caía de joelhos, como que pedindo auxílio a Filadélfia, que a esta altura gritava desesperada.

Dum segundo salto, a criatura alienígena em forma de garrafa investiu contra o ventre de Filadélfia, ali adentrando e se alojando imediatamente. Traspassada, Filadélfia, já sem forças para gritar, caiu estatelada ao chão, ao lado de Jerônimo, que dava os derradeiros suspiros da sua agonia.

Dentro da cavidade uterina do corpo de Filadélfia, que terminava de dar o seu adeus à vida, o parasita maligno estabeleceu a sua morada, como invólucro de proteção à sua própria gestação, de onde evoluiria e se desenvolveria em um ser de muito maior grandeza, e vileza, uma borboleta do mal, da qual a garrafa era a lagarta, que tomaria conta da nave e tornaria ao sistema tri-solar dos navegantes para o tomar pela força e o transformar num reino de malignificência.


(primeira parte do texto)

4 comentários:

Claire disse...

Uma borboleta do mal? Como assim?
Olha, eu já vi uma borboleta transparente, mas lagarta transparente não...
Tem certeza que não era uma mariposa? porque mariposas são meio estranhas mesmo...
Hum... Ok
Preferi esse final ao outro.

Eu já sabia daquele blog da Regina.

mr m. disse...

o que é um final alternativo atrás do outro, não é mesmo, minha gente?

Anónimo disse...

nossa, como eh dificil pronunciar malignificência, n~çao eh mesmo, minha gente?
Tenho que me depilar...
Comprei um depilador elétrico.
É uma porcaria, não depila bem, é melhor com a gillete.
vou devolver, acho que vou trocar por uma dúzia de aparelhos pra esquentar cera.


Danina

mind disse...

axo k gost mais do outro final,hehe!
=)