quarta-feira, 15 de novembro de 2006

FINAL ALTERNATIVO Nº 5

Foi quando Jerônimo conseguiu abrir e ler. A carta dizia:

"A quem interessar possa:

Não sei se alguém chegará a ler esta carta, que eu emiti ao passado graças ao vórtex transdimensional que pôde ser gerado por modernos aparelhos. Eu sou um dos poucos remanescentes da minha raça no universo.

Tudo isto começou quando as três estrelas do meu sistema solar começaram a agir de forma estranha, mudando gradativamente os horários no meu planeta natal. Por ter sido uma mudança muito lenta, ninguém se deu conta da tragédia que havia de suceder.

O problema era que o campo gravitacional de cada uma destas três estrelas, que desde sempre conviveram em tão pequena proximidade, começaram a expandir, afetando os campos gravitacionais das outras duas, atraindo-se todos mutuamente.

No tempo de quem quer que esteja lendo esta missiva, isto tudo estará prestes a acontecer. E é a colisão destes três sóis que eu escrevo para impedir, para que esta triste linha temporal minha nunca venha a existir e a minha raça seja salva.

Apressem-se! Não resta muito tempo!"

Perturbados com esses dizeres, Jerônimo e Filadélfia rapidamente mudam o curso da espaçonave para regressarem ao seu planeta a tempo de tentar alertar à sua comunidade científica e tentar mudar o curso da História. No caminho de volta, na mais alta velocidade que a nau deles alcançaria, conseguem vislumbrar os três sóis visivelmente mais próximos um do outro, confirmando os dizeres do bilhete misterioso.

"Temos de chegar lá, Jerônimo", exclama Filadélfia em pânico.

Mas quanto mais se aproximam, mais se apercebem da maior proximidade entre os sóis, que vão certamente acercando-se de si mais rapidamente do que os nossos viajantes deles. Falta-lhes menos tempo do que deveria ser necessário e eles assistem a tudo de cada vez mais perto, sem nada poderem fazer entretanto.

E final e inelutavelmente, os três sóis chocam-se, abalroam-se numa explosão poderosa de luz e energia, que engloba tudo ao seu redor, vindo na direção da nave de Jerônimo e Filadélfia. Eles receberam a mensagem tarde demais.

Num grito desesperado de "não", Jerônimo vê o seu veículo ser consumido em um só segundo nas chamas da supernova.

Súbito, Jerônimo desperta, ainda com o "não" nos lábios, suado por todos os poros. Assusta-se com a mão de Filadélfia tocando o seu ombro, num afago que lhe diz que tudo está bem. Ainda sem compreender muito bem, ele ouve-a dizer baixinho: "foi só um sonho, meu querido".

Jerônimo, aliviado, abraça-se a Filadélfia e chora as lágrimas de quem viu tudo perdido, mas principalmente de quem viu morrer a sua amada.


primeira parte do texto

2 comentários:

Claire disse...

Ai que final lindo!

É tão romântico!
(modo Valéria on)

mind disse...

=)