quinta-feira, 2 de novembro de 2006

JERÔNIMO E FILADÉLFIA

OU OS VIAJANTES ESPACIAIS

Jerônimo e Filadélfia estavam em férias maravilhosas, no espaço, tão longe quanto possível das estrelas habitadas. Naqueles dias, as viagens interplanetárias eram uma ocorrência quotidiana, e mesmo aventurar-se entre estrelas não era incomum. Os foguetes levavam turistas a sítios ocultos de Sírius, ou financistas às famosas bolsas de valores de Árcturus ou Aldebaran. Mas Jerônimo e Filadélfia, um casal abastado, mais ávidos por lazeres peculiares, distinguiam-se no cosmo pela sua originalidade com uma pitada de poesia. Os dois andavam universo afora por pura diversão — e a vela.

A nau deles era um tipo de esfera com um invólucro — a vela — que era miraculosamente fina e leve e movia-se pelo espaço propulsionada pela pressão da radiação luminosa. Tal máquina, deixada à sua própria sorte e à automaticidade dos seus controlos, na vizinhança duma estrela (embora distante o suficiente para que o seu campo gravitacional não seja poderoso demais), sempre havia de se mover em linha reta na direção oposta à da estrela; mas como o sistema estelar de Jerônimo e Filadélfia era composto de três sóis que eram relativamente próximos um ao outro, a embarcação recebia raios de luz ao longo de três eixos diferentes. Jerônimo, então, concebeu um método extremamente engenhoso de guiar. A vela era alinhada por dentro com uma série de cortinas que ele podia enrolar ou desenrolar à vontade, portanto mudando o efeito da pressão da luz, ao modificar o poder de reflexão de certas seções.

Um dia, estavam Jerônimo e Filadélfia deitados lado a lado, no meio da sua espaçonave, sem preocupação alguma, aproveitando o máximo das suas férias, expondo-se aos raios distantes dos três sóis. Olhos fechados, Jerônimo pensava somente no seu amor por Filadélfia. Entretanto ela, estatelada ao seu lado, olhava profundamente a imensidão do universo, deixando-se hipnotizar, como sempre gostava de fazer, pela sensação cósmica do vazio.

Súbito, Filadélfia despertou do transe, franziu o sobrolho e sentou-se. Um estranho clarão tinha rajado o vácuo. Ela esperou uns segundos e viu um segundo luzido, como refratado da superfície dum objeto. O sentido cósmico que ela adquirira ao longo desses cruzeiros todos não a enganava. Além do mais, Jerônimo concordaria com ela, quando lho mostrou, e era impossível que ele se enganasse assim nesse assunto: era um corpo que cintilava uma luz que não sua, flutuando pelo espaço, a uma distância que eles não conseguiam precisar. Jerônimo apanhou um binóculo e procurou o misterioso objeto, enquanto Filadélfia se recostava no seu ombro.

"Não é uma coisa muito grande", disse. "Parece ser feito de vidro... Não, deixa ver melhor. Vem-se aproximando. 'Tá mais rápido do que nós. Parece…"

Uma expressão de desconcerto veio-lhe aos olhos. Ele abaixou o binóculo, que ela imediatamente tomou em mãos.

"É uma garrafa!" E olhou para ele à espera de que dissesse o que fazerem.

"É, é uma garrafa. Eu vejo bem. É feita de vidro colorido. E tem uma rolha... e dentro, parece que tem um papel..."

"Uma mensagem?" Questionou-se Filadélfia. "Temos que apanhar aquela garrafa!"

Jerônimo foi da mesma opinião e já empreendeu algumas manobras habilidosas a fim de pôr a esfera na trajetória do corpo inusitado.

Ele logo conseguiu e reduziu então a própria velocidade para poder apanhá-lo. Entretanto, Filadélfia trajou-se com as vestimentas cosmonáuticas e saiu flutuando da nave pelo alçapão traseiro. Uma vez lá fora, estendeu uma mão, com a qual apanhou a garrafa à deriva, enquanto puxava o seu tubo de respiração para poder regressar ao interior do veículo.

Ela deu um grito de triunfo que só ela ouviu, mas isso apenas bastava. A garrafa, alongada de pescoço quase do mesmo comprimento que o corpo, algo entre translúcida e transparente, era-lhe agora um troféu pessoal. Dentro, via-se o que parecia ser um rolo de papel branco, de aparência não muito antiga.

Entrando novamente pelo alçapão, mal esperou para abrir o capacete e dizer: "Vamos abrir esta garrafa agora!" Um pouco menos impaciente, Jerônimo tentou primeiramente remover a rolha que tapava a pequena boca do recipiente. Mas estava muito firme não parecia ceder um milímetro aos esforços de Jerônimo.

Um sentimento desconfortável, misto de curiosidade e receio, começou a tomar conta dos dois. Filadélfia, dum só movimento de mãos, acionou os controlos que reduziram as velas da esfera para que esta pudesse flutuar mais placidamente no vácuo, e apressou-se para mais perto de Jerônimo...

Continua...

5 comentários:

Claire disse...

ÊÊÊÊÊÊ! Adoro historinhas! Conta mais, tio!

* Com um sorriso largo de criança que espera a continuação da história com ansiedade*

Beijo.

mr m. disse...

como não consigo decidir o final da história, vou publicando finais alternativos e vocês votem no que mais gostarem.

Ve Barbosa disse...

Não cheguei nem a ler o texto acima... mas irei ler... é que tô com sono...rsrs... abri meu blog nas carreiras... Devo dizer que sinto dificuldades em lhe descrever com apenas 6 adjetivos... vou deixar pra fazer isso amanhã...rsrs... até pq preciso muitooooo do babylon... rsrs... sim, quanto ao abstract vc tem que cobrar...rs...não é pra mim, é um serviço que peguei...rs... vou cobrar pro cara pelo menos 50 contos pra ti, certo? se achar pouco me avisa... depois me diz como faço pra lhe pagar, assim que tiver com o material lhe envio... e assim que acordar e retornar ao sol (sim, porque será dia... não sei o que quis dizer com isso... doing) eu leio o texto acima, comento novamente (hihi), e tento lhe descrever...rsrs.. beijos...

Claire disse...

Tudo mentira... tsc tsc...

mind disse...

esperams o fim
=)
*s