quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

TIRE FÉRIAS DO AMOR

Assisti O Amor Não Tira Férias, que é uma comédia romântica britânica feita pro mercado americano, típica desde Quatro Casamentos e um Funeral. Identifiquei-me muito. Se bem que me ando identificando com muita coisa ultimamente. O enredo é sobre pessoas psicopatas que infernizam a sua vida até você se tornar um psicopata também. Felizmente, há um final feliz, no qual as pessoas atazanadas pelos psicopatas conseguem dar cabo da maldição e não viram psicopatas, o que me deu uma certa esperança de que eu também possa fazê-lo. Ok, não é bem em torno disso que gira o filme, foi só o aspeto que mais me chamou a atenção. De todo jeito, será esse o argumento do filme até que eu tome o meu remédio. Pois bem, a moral da história, segundo a minha interpretação, é: fuja o mais rápido que pode, fuja enquanto é tempo e não deixe o seu telefone para as pessoas psicopatas por quem você se apaixona. Enfim, só quis compartilhar o quanto fiquei feliz de ver a personagem de Kate Winslet dizer "acabou-se" ao psicopata que a infernizava. Vejamos se doravante eu aprendo a fazer as coisas assim.

sábado, 23 de dezembro de 2006

UM CONTO DE NATAL

Quando, naquela antemanhã fria sem estrelas e sem luar, trovejou das chaminés do batel um alarido forte, estrondoso, provindo de todas as suas entranhas maquinais, soou desesperado e desesperador, mas disso quase nenhum dos trezentos e cinquenta passageiros se deu conta, só os que despertaram do leve torpor em que se perdiam depois da festa, já de volta ao aconchego das suas cabinas luxuosas. Mas estes logo retomaram o seu sono talvez nem tão merecido. Foi por isso que foram apenas uns parcos tripulantes que estavam no convés que viram o que se passou uns minutinhos depois.

A emersão não foi preambulada por nenhuma pausa dramática, tampouco trombeteada por tensão nenhuma. Quem sabe é porque a vida real não tem vem acompanhada por nenhuma orquestração, mas o fato é que as pessoas quase nem se aperceberiam de nada, não fosse uma cena inusitada como foi. Primeiro, não houve muito agito na água pra além duma ligeira perturbação logo abaixo da superfície, a qual ficou um tanto bulbosa, e contam que pareceu borbulhar um bocadinho. Mas isso só quem estava de vigília no mastro viu.

No instante que seguiu, ele se ergueu.

Da distância relativamente comprida a que estava do transatlântico, e em comparação a este, uma rápida vista dava pra constatar as suas proporções consideráveis. O seu corpo era visivelmente escamoso, a julgar da reflexão das luzes do barco que incidiam sobre ele ao longe. Pelo barulho que fazia, a água que gotejava do queixo dele devia ser como uma cachoeira, se estivéssemos perto o bastante. Mas ele em si não emitiu som nenhum, e portanto não dava ares de ameaçador, mesmo com uma aparência tão medonha como a que tinha.

Sustentado por sabe-se lá o quê, aquele pescoço ou colo vertical, parecido com probóscide, oscilava teso, e a cabeça virava dum lado ao outro, talvez à procura ou à espera de qualquer coisa, esperada há muito tempo, querida e porventura perdida, mas de alguma forma ainda sentida. A figura e a atitude dele era como que de intensa perturbação, mas daquelas que só consomem por dentro, e nessa sincera, apesar de velada, demonstração de sentimentos, quase dava vontade de lhe perguntar se se podia ajudar. Mas ele mostrou ignorar ou fingir não dar tento da presença daquele barco, do qual, se tinha qualquer sentido de visão, certamente dera conta.

A sua expressão, se assim se pode chamá-la, súbito pareceu a mais desiludida da mais miserável de todas as criaturas, quando ele ainda olhava em redor, mas foi por pouco tempo. Resignou-se a contemplar a lâmina d'água sob si com uma face em branco. E solidificado nessa imagem mofina de angústia repressa, ele imergiu, lenta e melancolicamente, de volta à escuridão das suas águas frias, tão sutil e inconspícuo como surgira.

No momento em que a coroa dos chifres dele desapareceu placidamente no oceano, todos os que haviam visto expiraram a lufada de ar que tinham tomado no segundo em que deram fé da presença dele. Até os corações pareciam ter pausado durante aquele minuto ou eternidade em que ele se ergueu.

A viagem prosseguiu e nenhuma das poucas testemunhas comentou nada, porque havia um destino e um horário a cumprir. E também porque, se comentassem, não saberiam bem o que comentar. Tudo continuou como se nada tivesse acontecido, pra que nada mais acontecesse. E ninguém mais fez soar as chaminés do batel.

Mark Tindo. Feliz Natal.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

CONVERSA DOS SEM-ASSUNTO

― Quais são os nomes dos sete anões?
― É fácil: o nome do primeiro sete anão é Dunga.
― Certo. E o que mais?
― O segundo sete anão é Professor.
― Professor?
― É... ou é Professor ou é Doutor.
― É Mestre!
― A mesma coisa.
― Tá... dois. Faltam cinco.
― O outro é Raivoso.
― Não, o nome desse é Zangado.
― Ai, é! Zangado.
― Três.
― E Dorminhoco.
― Não existe nenhum com esse nome.
― Claro que existe. É um que dorme muito.
― É Soninho.
― Óbvio que não. Ou é Dorminhoco ou é uma coisa assim.
― Tem a ver com "sono".
― Sonolento... Sonolindo... Sugismundo...
― É... Soneca!
― É sim, é sim!
― Quatro.
― E... Espirro.
― O que é "Espirro"?
― É o outro sete anão.
― Não existe sete anão de nome "Espirro".
― Como não? Claro que sim.
― Não existe.
― E pois é como? O que dá uns espirros?
― É Atchim.
― Ai, é mesmo. Outro: Trancoso.
― Não existe esse sete anão "Trancoso".
― Risada.
― Que nome é esse, "Risada"?
― É um que é todo sorridente. Ou é Risada ou é Risadinha, não lembro.
― O nome é Feliz!
― É mesmo. Feliz.
― Seis... O último?
― Gordinho.
― De onde saiu esse, "Gordinho"?
― É aquele que come muito.
― Não existe nenhum sete anão que come muito.
― Então é Mudo.
― Como assim, "Mudo"?
― É o que não fala.
― O que não fala já é o Dunga.
― Ah, e não pode ser mais de um mudo?
― Pode, mas não é.
― Pois deve ser... Tímido.
― Tímido?
― É, Tímido. Um que é tímido.
― É Dengoso!
― Esse mesmo. Pronto, lembrei dos sete. Ganhei o quê?
― Nada não, foi só por curiosidade mesmo.

Mark Tindo também procura a utilidade deste texto.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

ESTRANHEZAS E INCERTEZAS

Atendeu o telefone e surpreso ouviu a voz dela, que mesmo depois daquela ausência toda ainda lhe era tão facilmente reconhecível como a dele própria, voz que, com poucas saudações ou cerimônias, o convidava a ir até lá, àquele mesmo local de antes, como se nada houvesse havido, como se nenhum segundo tivesse transcorrido desde a última vez que lá estiveram.

Não soube o que lhe responder. Hesitou por uns instantes. A voz dela pedia se ele ainda escutava. Tudo o que ele conseguiu dizer foi "sim". Desligaram e ele sentou-se ainda sem sensações que pudesse definir, nem palavras nem reações maiores do que se sentar e observar dum olhar em branco o vazio.

Ele foi e esperou lá por ela, quase a tarde inteira, lançando n'água, em forma de pedrinhas lisas, portas que levavam a um passado longínquo que os unia nos mesmos círculos concêntricos que a superfície desassossegada desenhava mais perfeitamente do que qualquer compasso.

Naquela superfície, naquele fundo, ele espargiu a sua libação, expiou-se de si, exauriu os seus fantasmas, nomeou os seus receios e os seus arrependimentos, que eram tudo o que ele tinha de mais real e mais oculto, sobrevivendo ainda nos vasos desarrumados, nos recantos sujos, nas pias obstruídas, nos copos meio cheios, na corrução dos vícios, nas camas e nas paredes, debaixo dos lençóis, sobre o anjos da mobília, na desordem gradativa, nos esconderijos mais obtusos que ele pôde formar em si e em redor ao longo de tanto tempo.

Foi lá então, quando o sol acobreado já dava ares de baixar, que ele se deu por vencido, se entregou ao veneno gotejante do beijo suado dela e ao seu jeito perturbador de amar um amor de meninos que descobrem os seus corpos ensopados e trêmulos de estranhezas e incertezas.

Mark Tindo afirma que ela jamais foi vista de novo.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006






Talvez até um fantasma fosse companhia suficiente através desta noite de esquissos mal-rascunhados. Talvez um beijo qualquer, sem significado algum, uma paixão indesejada, uma vergonha às escuras, um amor desvalido, quebrado e falido, perdido e quem sabe achado.
Eu não preciso de uma história pra vida toda. Nem calafrios na espinha, nem dor romântica, nem revolver de estômago, nem coração acelerado. Basta-me uma noite só. Quinze minutos de glória.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

ANTEONTEM

Anteontem os olhos dela fitaram-me e eu esqueci o que eu ia dizer, porque eu nunca soube desde o começo. No caminho eu tinha vindo pensando em se teria dado certo se tivesse dado certo, mas as coisas nem sempre são tão simples. Foi uma distância longa e deu-me tempo de refletir. Ainda não sei por que ela me convidou, mas já que o fez, sinto-me honrado de que ela queira partilhar esses momentos comigo. Lá, fiquei deslocado, mais ainda do que normalmente já sou, mas foi bom ter ido. Sei bem que ela não me pôde dizer tudo o que quis, e eu nem queria dizer nada de todo jeito. Mas foi por isso que o olhar dela falou tanto.

Anteontem eu tive medo, quis protelar, esquecer, deixar pra lá, fingir que não. Mas fui vencido pelas memórias (como é de praxe). Naquele curto tempo, naquele sopro que entrou por uma janela e saiu por outra, ela significou pra mim mais do que ela mesma, e talvez tenha salvo do poço do abismo uma parcela de mim. E naquele silêncio final eu soube que ela de certa forma sabe disso.

Anteontem ela deu o seu último adeus, sem dizer palavra, deixando pra trás um legado de saudades de coisas das quais só eu vou lembrar. E, por saber que esses sonhos doces vão ser só meus, refrigero-me a alma um pouquinho (só um pouquinho), apesar de me entristecer não ter ninguém com quem partilhá-los (como é de praxe).

Sim, eu queria partilhar sonhos. Tenho plena consciência de que me afasto às vezes, que me queimo fácil, que tenho medos e umas angústias que de vez em quando afligem por ver que eu sempre tenho que mudar e assistir todos permanecerem; e que a explicação disso é todos mudarem, crescerem, envelhecerem e passarem e eu não. E é nessas horas que eu mais preciso de companhia, que eu mais me fecho.

Mark Tindo fotografou esse instante.

domingo, 10 de dezembro de 2006

COISAS QUE EU OUÇO POR AÍ

– Acertei tudo no teste. Só esqueci as vogais.

– Vamos abrir as portas da cidade da esperança.

– Tá aqui, vó: o que eu trouxe pra senhora.
– Eu quero lá esta merda?

– Ele era tão bom pra ela... Só dava nela de vez em quando.

– Geralda, (pausa de três segundos) por que você não se mata?

– Sabe qual é o seu problema, senhora? Bosta seca.

– Eu não acuso ninguém. Tu é quem acusa.

– Vamos sair?
– Claro, agora. Quem fala?

– Tou na polícia, fazendo um piquenique.

– O meu adversário diz que eu ando com duas pistolas pra dar tiro no povo. Isto é uma inverdade. E se ele continuar a dizer essas coisas, leva bala.

– Nunca eu disse isso. Quando eu disse foi outra coisa que quis dizer.

– Eu tou sem fala! Eu tou sem fala!

– Não estou vendo ninguém cortando carne.


Mark Tindo não sabe bem o que dizer.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

FIM

neste infinito fim
que nos alcançou
guardo uma lágrima vinda do fundo
guardo um sorriso virado pro mundo
guardo um sonho que nunca chegou

na minha casa de paredes caídas
penduro espelhos cor de prata
guardo reflexos
do canto que mata
guardo uma arca de rimas perdidas

na praia deserta
dos dias que passam
falo ao mar de coisas que vi
falo ao mar do que conheci

num mundo onde tudo parece estar certo
guardo os defeitos que me atam ao chão
guardo muralhas feitas de cartão
guardo um olhar que parecia tão perto
pro país do esquecer o nunca nascido
levo a espada e a armadura de ferro
levo o escudo e o cavalo negro
levo-te a ti
levo-te a ti
levo-te a ti
pra sempre
comigo

na praia deserta
dos dias que passam
falo ao mar de coisas que vi
falo ao mar do que nunca perdi

Tiago Bettencourt escreveu

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

O ELEFANTE EFERVESCENTE


Na selva, havia um elefante dos olhinhos pequenos e da tromba grandona. Ele estava entediado porque não tinha nada o que fazer. Decidiu então assombrar um coelhinho. O Elefante inventou uma história da cabeça dele: disse baixinho ao ouvido do Coelhinho que antes de Junho ele ia morrer, porque o Tigre ia vir e rugir e devorá-lo.

Pois o Coelhinho, sobressaltado, disse à Zebra:

– Ai! Eu vou ficar em casa e, assim que eu ouvir um rosnado, vou saber que o Tigre lá está, mas vou ter tempo de me esconder a salvo.

E a Zebra foi e contou isso à Girafa, e a Girafa ao Macaco, e o Macaco ao Hipopótamo, e o Hipopótamo foi espalhando a história da iminente chegada do Tigre para os outros animais da selva.

Assim, o Elefante ria-se sozinho, entretanto todos na selva ficavam amedrontados e nervosos e corriam pra cima e pra baixo, dia e noite, à procura de abrigo. Mas tudo em vão, porque o Tigre, quando chegou realmente, disse:

– Quem, eu? Eu nunca comeria nenhum de vocês! Prefiro muito mais algo pra mastigar e vocês são todos muito magrinhos.

E comeu o Elefante.

Mark Tindo repassou esta historieta de Syd Barrett.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

AO PÔR DO SOL

Ela parou e observou atentamente tudo à sua volta, na espera e na esperança de utopias hollywoodianas, pra poder finalmente descansar antes que fosse tempo de dar cabo de todos os eus que havia, e assegurar-se de que não ia doer demais.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006


"Ah, não, não é assim -- não assim", interrompeu o monstro. "Ainda que seja essa a impressão que lhe dá o conduzir das minhas ações. Porém eu não procuro complacência na minha miséria. Nenhuma simpatia eu hei de encontrar. Quando primeiro eu a busquei, foi o amor à virtude, os sentimentos de felicidade e afeição, com que todo o meu ser transbordava, do que eu quis ser partícipe. Mas agora que a virtude se me tornou uma sombra, e que a felicidade e a afeição se tornaram em amargo e odioso desespero, no que buscaria eu por simpatia? Eu me contento com sofrer só, conquanto durem os meus sofrimentos; quando eu morrer, estou bem satisfeito que a abominação e o opróbrio devem carregar a memória de mim. Outrora o meu anelo acomodava-se em sonhos de virtude, de fama, de júbilo. Outrora eu desejei em vão encontrar seres que, perdoando a minha forma externa, me amariam pelas excelentes qualidades que eu era capaz de demonstrar. Eu era nutrido por altos pensamentos de honra e devoção. Mas eu estou só."

domingo, 3 de dezembro de 2006

O REMORSO É FOSFORESCENTE

O remorso é fosforescente em ti e quem sabe mais um tentar ou um degustar te possa ou deva bastar pra acalmar, mas eu invisto e não lucro das coisas que tu nunca dizes. Sim, aquelas que pensas e não admites e que te pulsam nas veias, aquelas que alegas embrulharem-te o estômago, aquelas de que te envergonhas à noite por tê-las feito durante o dia. As mesmas que não ocultas dos amigos e jamais vais contar.

Assim vais aprendendo a manter a dor silente, o calafrio quieto, o corar pálido, e tudo o que restar de amor-próprio vai aprender a se restringir, e se recolher até o dia em que a tua alma finalmente ruir.

Abre então o teu pacote de sermão pra secar a tua vergonha, procura o bode-expiatório pela tua inabilidade de amar revestida dum deus amargo a quem rogas continuamente nas mais estreitas das tuas angústias que nunca foram trazidas à tona, reafirmando-te na certeza de que as sombras vão cobrir e o tempo vai abafar os teus segredinhos sujos.

Assim vais aprendendo a deixar os olhos enxutos, o limbo encaixotado, o inferno asseado, aonde decerto vais contrabandear o teu coração, pra poderes engolir o choro, regurgitar mentiras, correr e fugir, pra te esconderes até quando não der mais.

Mark Tindo, em trecho doutra carta ainda mais antiga à mesma pessoa, que não vai ler.

sábado, 2 de dezembro de 2006

ESTA FERIDA

Esta ferida é continuamente rasgada e aberta por essas lágrimas afiadas que me cinzelam uma santidade de que os canivetes não me conseguem sagrar. Os mantras infalíveis e os comprimidos não surtem mais efeito, as borboletas foram digeridas e os milagres não têm mais maravilha alguma. Todas as esperanças estão liquidadas, junto com o meu hábito de morrer, mas esse martírio não me garante os céus, porque o meu sangue foi borrifado sobre a minha carne, que foi levedada.

Nós conjuramos fantasmas inevocáveis, pelo prazer dos calafrios, levando-os a lugares equívocos, dos quais não podemos mais expurgar, por serem cá dentro. E, ao inventarmos enganos à vontade, pra afogar as vergonhas e as culpas, forjamos uma âncora, que me puxa pra cada vez mais fundo, num mar escuro onde eu não consigo respirar, um mar que mancha a minha alma, que traz o estandarte de pecados dos quais me arrependo mas não consigo deixar, por tentar ganhar a tua atenção (quando é impossível consegui-lo).

Já tentei dissolver as desgraças, mas as roupas no chão sempre nos denunciam. Então, por um escape substituto, eu escrevo esta carta diminuta, pra te dizer que espalhaste o meu quebra-cabeças quando eu tava tão perto de terminar.

Mark Tindo publica só agora este excerto duma carta antiga, jamais enviada, na certeza de que a pessoa em questão nunca vai ler.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

NOTÍCIA DE JORNAL

Teotônio Valadão, 37 anos, foi preso ontem à noite por realizar atos de conduta libidinosa imprópria, juntamente com um grupo, formado por três travestis e um anão, à beira da estrada, a 37 km da cidade de ------, em plena luz do dia. A polícia, que passava casualmente pelo local, impressionou-se com o movimento incomum de arbustos que ficam à margem da pista. Ao adentrarem a mata, surpreenderam o grupo engajado na sua empreitada, em posição que o capitão classificou como "inusitada e talvez desconfortável".

Um dos travestis declarou que Teotônio, que estava no assento do passageiro em veículo conduzido pelo anão, os teria abordado pela madrugada, para requisitar os seus serviços. Acordados os preços, ter-se-iam dirigido desde a esquina chamada pelos travestis de seu "ponto de engate" até ao local, este escolhido por Teotônio, ao qual ele teria referido pelo nome de "igrejinha verde".

Levado de volta ao posto policial, Teotônio alegou não estar plenamente consciente dos seus atos no interim: "esse aí [o anão] me deu umas doses de não sei o quê". Os travestis foram liberados desde o local do flagrante, entendendo o oficial encarregado que os mesmos somente exerciam o seu trabalho. Teotônio foi formalmente acusado de atentado ao pudor. O anão recebeu advertência e multa, dado que o seu veículo se encontrava sem a documentação exigida.

Mark Tindo não presenciou a cena e nega qualquer envolvimento.