domingo, 3 de dezembro de 2006

O REMORSO É FOSFORESCENTE

O remorso é fosforescente em ti e quem sabe mais um tentar ou um degustar te possa ou deva bastar pra acalmar, mas eu invisto e não lucro das coisas que tu nunca dizes. Sim, aquelas que pensas e não admites e que te pulsam nas veias, aquelas que alegas embrulharem-te o estômago, aquelas de que te envergonhas à noite por tê-las feito durante o dia. As mesmas que não ocultas dos amigos e jamais vais contar.

Assim vais aprendendo a manter a dor silente, o calafrio quieto, o corar pálido, e tudo o que restar de amor-próprio vai aprender a se restringir, e se recolher até o dia em que a tua alma finalmente ruir.

Abre então o teu pacote de sermão pra secar a tua vergonha, procura o bode-expiatório pela tua inabilidade de amar revestida dum deus amargo a quem rogas continuamente nas mais estreitas das tuas angústias que nunca foram trazidas à tona, reafirmando-te na certeza de que as sombras vão cobrir e o tempo vai abafar os teus segredinhos sujos.

Assim vais aprendendo a deixar os olhos enxutos, o limbo encaixotado, o inferno asseado, aonde decerto vais contrabandear o teu coração, pra poderes engolir o choro, regurgitar mentiras, correr e fugir, pra te esconderes até quando não der mais.

Mark Tindo, em trecho doutra carta ainda mais antiga à mesma pessoa, que não vai ler.

1 comentário:

Anónimo disse...

Tome, na cara!
Vadia!


?Danina