quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

UM SEU JEITO

Todavia esforçar-me-ei pra lhes dar, não duvidem, essa realidade que vocês creem ter; quer dizer, de se quererem em mim como se querem a si. Não é possível, já o sabemos bem, já que, por mais esforços que eu faça pra lhes representar do seu jeito, será sempre «um seu jeito» somente pra mim, não um «um seu jeito» pra vocês e pros outros.

Desculpem-me se pra vocês eu não tive outra realidade fora essa que me vocês dão, e estou presto a reconhecer e a admitir que ela não é menos verdadeira do que a que eu me possa dar; que ela é antes pra vocês a única verdadeira (e Deus sabe o que é esta realidade que vocês me dão!); querem lamentar-se agora da que lhes darei eu, como toda a boa vontade de lhes representar o quanto mais me for possível do seu jeito?

Não presumo que sejam como eu os represento. Afirmei já que não são nem mesmo aquilo que representam a si mesmos, mas tantos a um só tempo, segundo todas as suas possibilidades de serem, e os casos, as relações e as circunstâncias. E portanto, que injustiça lhes faço? Vocês é que se equivocam em relação a mim, crendo que eu não tenha ou não possa ter outra realidade afora esta que me dão vocês; a qual é sua apenas, acreditem: uma ideia sua, aquela que fizeram de mim, uma possibilidade de ser como vocês a percebem, como a vocês parece, como a reconhecem possível em vocês; já que do que possa ser eu para mim, não só não podem saber nada vocês, mas nada tampouco eu mesmo.

Luigi Pirandello escreveu. Mark Tindo traduziu.

4 comentários:

mr m. disse...

gosto deste texto.
é muito forte, quase visceral, e tem qualquer coisa a ver com o texto anterior.

Claire disse...

Tem alguma coisa a ver sim.
Também gostei do texto. Confuso, mas compreensível. ;)

Beijinho.

P.S.: Vai fazer o que no Carnaval?

as velas ardem ate ao fim disse...

Somos aquilo que refletimos nos outros ou a nossa essencia???

bjinhos

mymind disse...

gostei mt.
um eu tem tantos "eus"...
=)
bju