sábado, 28 de julho de 2007

PENSAMENTO DUM HOMEM NO MEIO DA RUA Nº 2

Um homem andando no meio da rua pensa: "por que é que eu recebo pouca atenção, se tenho baixa capacidade de concentração? Por que as minhas noites são tão longas, se eu acordo tão cedo? Onde está a minha família? E se eu morrer aqui? Quem vai ser o meu substituto, se nem a metade do meu papel eu exerci? Se eu continuar a seguir esta rua, vou encontrar a outra metade? E se eu a encontrar, será que ela me vai encontrar também? E como nos reconheceremos, se há tanto tempo estamos sós e ao longo e ao largo e em redor tendo tantos incidentes, acidentes, alegações, negações e alterações?"

terça-feira, 24 de julho de 2007

PENSAMENTO DUM HOMEM NO MEIO DA RUA Nº 1

Um homem andando no meio da rua pensa: "por que eu tenho o coração mole? por que eu tenho o coração mole se o resto da minha vida é tão dura? quero uma oportunidade fotográfica, quero uma ocasião única de redenção; não quero acabar como um desenho animado num cemitério de desenhos inanimados que se perderam cavando ossos na busca por fantasmas, cada vez mais fundo, como uns cães famintos à luz da lua e da iluminação pública. Alguém tire esses vira-latas daqui, que eu não acho mais isso engraçado."