segunda-feira, 27 de agosto de 2007

’ANΆГKH

As palavras mais lindas que eu já ouvi foram as que Priscila disse quando eu estava pra ir.

Ela disse que eu ia voltar. Que com certeza eu ia voltar. E que se eu não voltasse, ela ia me buscar.

A verdade é que eu nunca voltei e ela nunca me foi buscar também. Mas o que eu acho que ela não notou (e tenho certeza que nunca vai saber) é que aquelas palavras reduziram a maior parte da minha existência a uma busca insensata por outras palavras que as igualassem. E pelo valor de ser alguém que mereceu ouvi-las.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

NOVOS PRINCÍPIOS

Quando o pesadelo acabou e o sonho acordou, já era tarde, e ele podia dormir por doze horas seguidas depois duma semana sem sono, mansa e calmamente, são e salvo, mas aí ele estava muito cansado e fraco demais pra isso.

Ele olhou as memórias que trazia e ainda conseguia ouvir a voz da menina que parecia um ratinho quando comia a insistir em lhe perguntar se estava tudo bem. Havia muito tempo desde que se sentira tão reconfortado pela insistência, porque desta vez ele sabia que era uma pergunta genuína. E tivesse sido uma resposta sincera, seria "agora sim".

Estava de partida no dia seguinte, mas naquela noite ele encontrou-se pela primeira vez e teve de ter uma longa conversa, pra descobrir do que se tratava e, acima de tudo, se ia rimar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

PENSAMENTO DUM HOMEM NO MEIO DA RUA Nº 3

Um homem andando no meio da rua, uma rua num mundo estranho, que talvez seja o terceiro mundo, talvez o primeiro que ele conheça, do qual não fala a língua, não tem o dinheiro ― é que é um homem do campo, que se circunda de som, gado, mercado, chuviscos, orfanatos ― olha em volta, no entorno ao seu redor e vê anjos na arquitetura, rodopiando no infinto, e pensa: "amém; aleluia".