quinta-feira, 11 de outubro de 2007

DA SUA CHEGADA AO VIGÉSIMO TERCEIRO ANO

Quão cedo pôde o tempo, esse sutil salteador de sazões, raptar nas suas asas o meu vigésimo terceiro ano! Como puderam os meus azos afanados se me vexarem da vista em velozes veredas, quando a minha primaveira me mentiu de qualquer broto? Quiçá o meu semblante disfarce a verdade, que eu à madureza tenha tão presto chegado, e que, dentro, à prudência não me haja tanto dado como mais ditosos espíritos induzem oportuno. Quiçá me tivessem advertido como a escalada corrói o espírito bem antes de a queda estilhaçar a carne, e que a vista do alto não compensa o empenho, eu nunca haveria morrido tantas vezes tentando subir.

sábado, 6 de outubro de 2007

TARDE DO FIM (FIM DA TARDE)

A estação é tardia em abaixar a cortina e ainda há um último ocaso antes de o cintilar dourado do suor se tornar lembrança. Ainda há um convite e vinho suficiente na garrafa pra um derradeiro espreguiçar antes de começarmos a hibernar. Bons sonhos são certos em bom sono seguro, nas notas da canção que nos há de embalar.
dormebemdormebemdormebemdormebemdormebemdormebem.