segunda-feira, 29 de setembro de 2008

ANJOS E BOCAS

(fragmento)

Não que sejas custódia dessa era que cessa, do pranto e do canto, do luto e do ludo, nem que em ninguém participe o que em ti só não cabe (mas eu sei que sim, e sei que não sabes que eu, como sempre, me lembro de tudo — da memória dos santos e das tardes de pesca) e que em ti não se acaba a progênie de Eva, nem a história alterada é espada ou escudo pra esconder do passado dum povo perdido, ou varrer-lhes da vista segredos lascivos, porque tu, como nunca, te esqueces de tudo do sorriso dos anjos e das bocas blasfemas.

(לשנהטובה a todos.)

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