sábado, 20 de setembro de 2008

O BEM-VISÍVEL

Em qualidade de raposa velha, eu já não devia esperar poder ser domado, ou pelo menos não em tão pouco tempo: chorar é um risco muito alto pra quem tem excesso de lágrimas.

Em animal do campo, eu já devia saber que num mundo onde não há caçadores também não deva haver galinhas.

Besta calejada, eu tinha de perceber que eu podia enfrentar tudo, fazer face a todos, mas jamais haverá algo por que valha a pena fazê-lo.

Eu sou uma criatura da selva, nunca houve (e não é agora que há de haver) nada além de predadores ao redor de mim — eu sinto-os, observando-me do escuro, procurando quando me possam tragar. Eu vejo os olhos deles.

Mas aí, eles também veem os meus.

1 comentário:

Ve Barbosa disse...

para isso (dizem) servem os óculos escuros, bem escuros.

;o)

Beijocas, meu caro Tindô.