sábado, 13 de setembro de 2008

« A vida encarregou-se de me dar a saber certos soslaios de ser. Eu aprendi o quanto dos pais vivem nos filhos. Você, tão experimentado, que tem políticas preparadas e respostas pra tudo, qual é a posição oficial quanto a meninos que fazem com meninos? Não lhe inquieta que o seu herdeiro a pratique com um jovem príncipe? Quando ele me encontrou, eu não tinha mais de quinze anos. Estávamos no bosque, começava a anoitecer, o meu cavalo tropeçou, eu vi-me tombar por terra. Despertei ao toque duma mão que me acariciava. "Filipe, tu me amas?" E eu disse "sim". Sabe por que eu disse que sim? A fim de hoje lhe olhar nos olhos e contar tudo. Você não pode imaginar o que me custou esse "sim". Ou talvez possa. Imagine-se acarinhar uma puta ulcerada, roçando-lhe contra os peitos, retorcer a sua boca, repuxando as beiras em direção às orelhas, mostrando os dentes numa carantonha reminiscente dum sorriso e dizer: "Sim. Eu te amo. E eu acho que a tua beleza é sem igual." Francamente, eu não sei como consegui. »

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