sábado, 22 de novembro de 2008

(O SEGREDO ESTÁ EM CONTAR)

Com um sinal sutil, passamos só perto o suficiente pra nos tocar. Sem perguntas, nem respostas, já sabemos como falar com gestos e palavras símplices o que celamos cá no sangue. Há um segredo a esconder; se não contar, não contarei. Enfadados estamos de fazer o devido — fadados estamos a fazer o proibido.
Sem papéis, nem cartas, os olhares já dizem assaz: amamos em nomes secretos um amor que não ousa dizer o seu, e que nos inflama as veias e nos mantém tão perto na distância. E eu não contarei se não contar também.
Até que o destino meu se cumpra, preservo-te escondido nos ossos; até que o meu fado me reclame as memórias para si, teu nome pulsa dentro em mim: ouço cantá-lo nos ouvidos e sinto o gosto no palato e soam as palavras antes que eu as diga. E eu sussurrarei só uma vez, só pra tu ouvires.

1 comentário:

Ve Barbosa disse...

ce parfait.