sábado, 20 de dezembro de 2008

SACOS DE PAPEL


Eu olhava para o céu, eu buscava uma estrela pra rogar, pra desejar, algo assim. Eu tinha um vício num sonho de menino cuja realidade eu sabia ser uma merda de viver; mas foi o pombo da esperança que eu vi aproximar-se em minha direção e parecia pedir que eu a agarrasse (e eu tentei). Mas quando desceu, também mo fez uma lágrima cansada: apercebi-me de que não era um pássaro, senão somente um saco de papel.


A fome dói. E eu tanto o quis que me doía o estômago. Mas o jejum é bom, quando custa demais amar.

Eu tive de soltar, de deixá-lo partir: as minhas mãos tremem quando estão dadas e não as querem segurar. E ele disse-me que não podia continuar, que não conseguiria mais. Tentei-lhe explicar, mas ele não entendeu. Eu pensei que ele fosse um homem, mas era só um menininho.

A fome dói. Dói como morrer. Mas o jejum é bom, quando custa demais amar.

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