sábado, 31 de janeiro de 2009

Senti perfumespaláciospalmaspromessaspaísesportospoentespalavras
Nas minhas mãos infelizes.
Senti os braços da noite pousarem sobre os meus braços
Quando tudo me pediste:
beijos
silêncios
cansaços.



domingo, 18 de janeiro de 2009

TODAS AS FACES

Ela, pelos seus mil e um aspetos, dos quais jamais sei qual seja o verdadeiro, pode ser o rosto que se me gravará na retina a fim de que não esqueça. Ela, quer seja a minha fonte de prazer ou de arrependimento, quer seja o meu tesouro ou o meu calvário, qualquer que seja o seu nome, a sua idade, a sua natureza divina ou diabólica, é a esta altura a canção do meu verão, o calafrio do meu outono, a bela feral, a fome refestelada que só me satisfaz de sentir mais e mais e mais.

Ela, que se não existisse, eu inventava pra fazer dos meus dias o paraíso (ou o inferno que fosse), pra me dar gozo, gosto, tento, tormento, razão de existir em mim mesmo e nela, pode não ser quem parece, aqui mulher, ali criança, de olhos altivos que não me deixam ver dentro, mas que tão profundo me penetram, me possuem. Ela é o amor que não teve esperança de vida, o que nunca me morreu, a sombra do passado, a glória do futuro.

Ela é a razão pela qual eu vivo, o porquê e o por onde sigo, o fogo que me consome, o vento que me corta, a minha força e a minha fraqueza, o meu mar bravio e a voz que lhe diz "acalma-te". Ela é a que pode fazer de mim o que quiser, cuja uma palavra pode tornar-me poeira ou anjo; a minha esperança, o meu destino, o amanhã pelo qual eu temo na minha alma sem socorro quando ela me mostra dia a dia todas as faces do amor.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

SE SIM (QUE SIM)

e ela disse: virias se eu viesse
e se fosse como fosse?

queria te ver fora de portas
vestindo o sorriso que eu te trouxe

e eu disse:
se gostares de
dançar sob o céu
falar alto
lembrar passados
dobrar papel
compartilhar modas e sonhos
contar estrelas
deuses e porcos
roupas antigas
comer de madrugada
são coisas que eu
queria que sim

se gostares de
sonhar o impossível
ou tentar galgar ao sol
ou cruzar o mar
percorrer os teus dias maus
só pra terminar
com alguém pra lembrar
ou algo pra esquecer
longas viagens
olhos escuros
e desajustes irreparáveis
se sim
eu vejo-te lá

sábado, 3 de janeiro de 2009

DIVERSAS MANEIRAS DE MORRER TENTANDO

Sol do Pacífico, devias ter-me avisado
como fica
frio aqui
que a noite congela antes de se fazer fogo
as chamas vão-se desapercebidas
diminuídas
apagadas
logo que acesas
e eu sigo
intrigado
eu sigo
invisível
apesar de quanto
gritei
quanto bradei
me note
me veja
me leve consigo
porque hoje todos os meus clamores encontram ouvidos surdos

Queimaram-me a ponte que à liberdade dá
moeram-me o coração mentiras más
fecharam-me o caixão comigo lá
mas eu tava
morrendo de vontade de viver

Sol do Pacífico,
devias ter-me avisado
como estas alturas são
vertiginosas
que a subida mata antes da queda
as pegadas vão-se desfazendo
desmaiadas
apagando
logo que marcadas
e eu sigo
intrigante
eu sigo
desejante
eu sou
desejável (?)

apesar de quanto
clamei
vociferei
me beije
me queira
me ame por mim
hoje
o que eu temi me sobreveio
e
tudo o que eu receava me aconteceu

Queimaram-me a ponte que à liberdade dá
moeram-me o coração mentiras más
fecharam-me o caixão comigo lá
mas eu tava
morrendo de vontade de viver

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

BOAS VERDADES

Boas verdades dadas de bom grado de e para boas pessoas de boa vontade, boas almas que não se vendem e sabem e verão que este ano vingará boas verdades que não cairão jamais. Pequenas palavras ditas pequenamente, pequenos passos que são saltos de gigante — e um só basta — pra que este ano dê boas verdades pra quem já não tem nenhuma. Boas vontades, boas palavras, bons passos, bons frutos de boas verdades que não hão de morrer.