domingo, 18 de janeiro de 2009

TODAS AS FACES

Ela, pelos seus mil e um aspetos, dos quais jamais sei qual seja o verdadeiro, pode ser o rosto que se me gravará na retina a fim de que não esqueça. Ela, quer seja a minha fonte de prazer ou de arrependimento, quer seja o meu tesouro ou o meu calvário, qualquer que seja o seu nome, a sua idade, a sua natureza divina ou diabólica, é a esta altura a canção do meu verão, o calafrio do meu outono, a bela feral, a fome refestelada que só me satisfaz de sentir mais e mais e mais.

Ela, que se não existisse, eu inventava pra fazer dos meus dias o paraíso (ou o inferno que fosse), pra me dar gozo, gosto, tento, tormento, razão de existir em mim mesmo e nela, pode não ser quem parece, aqui mulher, ali criança, de olhos altivos que não me deixam ver dentro, mas que tão profundo me penetram, me possuem. Ela é o amor que não teve esperança de vida, o que nunca me morreu, a sombra do passado, a glória do futuro.

Ela é a razão pela qual eu vivo, o porquê e o por onde sigo, o fogo que me consome, o vento que me corta, a minha força e a minha fraqueza, o meu mar bravio e a voz que lhe diz "acalma-te". Ela é a que pode fazer de mim o que quiser, cuja uma palavra pode tornar-me poeira ou anjo; a minha esperança, o meu destino, o amanhã pelo qual eu temo na minha alma sem socorro quando ela me mostra dia a dia todas as faces do amor.

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