sábado, 18 de abril de 2009

SVBVERSOR QVIA SVBMISSA SVM

Vê só: sonhar é criar. Um desejo é um apelo. Construir uma quimera é provocar a realidade. A sombra toda-poderosa e terrível não se deixa desafiar. Ela nos satisfaz. Eis-te aqui. Ousaria eu perder-me? Sim. Ousaria eu ser tua amante, tua concubina, tua escrava, tua coisa? Com prazer. Eu sou mulher. A mulher é a argila que deseja ser lama. Eu tenho a necessidade de me depreciar — isso tempera o orgulho. A grandeza funde-se com a baixeza. Nada se combina melhor. Deprecia-me, tu que és depreciado. O aviltamento sob o aviltamento é uma volúpia! A flor dupla da ignomínia que eu colho! Pisa-me com o teu pé. Tu não me amarás melhor que isso — eu sei. Sabes por que eu te idolatro? Porque eu te desdenho. Tu és tão abaixo de mim que eu te ponho num altar. Misturar o alto e o baixo é o caos, e o caos me apetece. Tudo começa e termina no caos. O que é o caos? Uma imensa mancha. E, com essa mancha, Deus fez a luz, e, com esse esgoto, Deus fez o mundo. Tu não sabes a que ponto eu sou perversa. Molda um astro no lodo, e esse serei eu.

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