segunda-feira, 13 de julho de 2009

LEVANTA E ANDA

Canta a manhã
Que eu toquei mas não dançaste.
Finda o afã,
Se eu chorei e não choraste.

Deito e descanso
Quanto chora o sol o céu.
Cordeiros conto
Desde a fundação do eu.

Levanto e ando;
Eis que já dia é
Levantado alto
Por tudo debaixo do sol.

E se do sul
Vento vier,
Um dia azul
Podeis prever.
Ó néscios!
Sabeis ler do céu os sinais,
E por que não sabeis entender os mais
Dos tempos finais?

Um sonho sonhei
Como jamais sonharei:
Sonhei um rei
Que de ouro a cabeça tem.

Casa na areia,
À que pouco tempo lhe resta.
Com grande fúria,
A inundação a leva.

Sonha, Daniel, sonha
Com o que há de vir.
Vê, Daniel, vê
Que tudo há debaixo do sol.

E se no poente
Nuvem houver,
Estais cientes
Que vai chover.
Ó hipócritas!
Vós sabeis ler do céu os sinais
E por que não sabeis entender os mais
Dos tempos finais?

Vaidade das vaidades,
Tudo é vaidade.

Ao que morrer
Dar-lhe-ei ter
No riso lar
E estulto ser.

Tempo há pra tudo
Debaixo do sol.

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