segunda-feira, 5 de outubro de 2009

NO HORIZONTE

      Todas as mesas estão ocupadas, a maioria em saborear o pão, especialidade da casa. Entre dois sorvos de Johnny, o olhar perdido pra muito além dos pilares, cariátides sem rostos decaindo da maresia duma Anfitrite sem ventos, ele tinha sobre a bochecha a mão, cujo pulso sustinha o queixo, apoiado o cotovelo ao lado do copo, e voltava-se pro horizonte rubicundo. Ouviu baterem à sólida madeira da porta. "Partiremos ao raiar o dia", disse-lhe a cabeça que surgiu. "Sim, capitão." Na proa, a luz apagou-se sem mais delongas.

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