domingo, 7 de abril de 2013

O DISTRAÍDO FRIO DUM CHUVOSO ABRIL

Ainda não te contei disso,
que não sei escolher as palavras
que não soem brandas nem amargas
e compactuem com o meu brio,
pois o bonde encontrei-o indo —
e penso que há muito já o perdi,
assim que percebi

que a conexão extrassensorial
já se tornava em bombas de napalm,
que a inspirar e expelir
o distraído frio dum chuvoso abril
duma sonolenta tarde de domingo,
eu por um ano ou dois
imaginei não findar mais —

mas desconfio que sei por onde andam
as tuas pegadas metafóricas
há muito escondidas,
e que os pássaros não as engoliram,
nem as histórias (têm morais) estrambólicas,
nem nos traz lições a vida,
nem ensina a dar o tom.
E nem por isso o choro é azul,
porque o sorrir é bom,
especialmente o teu.
Menino meu.
Menino tu.

Peço-te que não me deixes
deixar-te o meu coração
que mais não soa que o turbulento ronronar
das minhas vísceras ao te encontrar
de encontro a um solstício de meio-verão,
quando não haverá mais medo,
esperança, desejo ou anseio
por falas que não sigam guião,
nem abutres que cobicem meu nada —
estilhaços da infância roubada
que hoje vejo ressurgir
num ocaso que não quero que tenha fim,
por temer que o ódio que tenho por mim
se torne em amor por ti

— amor que me veio nascer
nas ruínas do meu pranto mudo.
Mas o tempo cura tudo
e, agora, eu posso envelhecer.

2 comentários:

Anónimo disse...

corre, grita, se faz ouvir... talvez o bonde não esteja tão distante de ti.

Kimino Peters disse...

tens um excelente dom para a escrita, parabéns!
o teu blog está muito bonito e interessante, continua assim.
desejo-te muito sucesso!


fabulouskimino.blogspot.com