quinta-feira, 23 de junho de 2011

EU SEI

Retire os bens de todos maus e diga ao povo que você se foi. E erga as mãos para os céus — tudo se torna tão mais claro depois! — Deixámos todo o tempo ir. Preocupo-me: ele corre tão fugaz. Mas eu me sinto a salvo aqui e pouco importa o que haja mais.
E isso eu sei,
Eu sei.
Eu sei...

O mundo é uma criança má e minha mente sempre foi assim. Os monstros parecem apagar, ao acordar dum outro sonho ruim. Quando menino, tudo vai: um doce só deixava-me feliz. Eu rio, se olho para trás — velho, banguelo, e tão seguro aqui.
E isso eu sei,
Eu sei.
Eu sei...

sábado, 11 de junho de 2011

GRACIOSO COM SÚBITO JÚBILO

No nosso prado, onde pastam equinos
em flores silvestres de primavera a pino,
gotejos de anis preenchem o ar de aroma.

De sob sopros de bruma recendem
vapores que ao repouso despendem;
a estação desperta matura virtude.

Regato onde deusas alvejam linho
a vir despejar néctar divino,
enche taças de ouro fino,
gracioso com súbito júbilo.

Aqui rosas fazem sombras pelas eiras,
fontes borbulham dentre macieiras,
enquanto chovem folhas tremedeiras
em profunda hibernação.