segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

TU E EU



Tu e eu, pra nós nunca foi fácil mesmo. Tínhamos que lapidar sempre mais. E a cada vez parecia estar feito, pra após desmoronar. E agora, uma noite a mais, eu penso nos meus tantos erros, e tento então mudar, perdoar todos pequenos mal-feitos e as coisas más de ti. E imagino se ainda pensarás em mim, e como o farás. Se a tentar achar o nosso ponto médio ou o ponto de fuga. Mas o amor é o que se faz dele e, disposto uma vez mais a tentar, inquieto-me porque não estás e nem quero dizer adeus. Tu e eu, pra nós nunca foi fácil mesmo. Ferimo-nos tanto já. Só o tempo dirá o que virá a ser, não há como prever. Mas eu queria tentar a sorte.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Pode ser esta noite quente a estrada aberta mesmo à nossa frente, e tu e eu a descobrir o ar: não é preciso correr, não é urgente chegar. O que é preciso é viver.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

PAZ

Num longo dia, tal qual este que acabo, tão atordoado, pouco dado a afeição, afeito a feitos sem razão, um sorriso salvou-me a alegria. E, com esse afeto no meu dia, apesar de todas as vicissitudes, solitudes tão populosas, glosas novas tão antigas, vou dormir feliz. Em paz. Paz pra mim. Paz pra Marte. Amém.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Pedem-me letras. Mas tudo o que consigo fazer são nuvens. Nuvens de vapor de saudade.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

E o espero por telefonar,
desejando que se vá lembrar,
com o coração no estômago,
lá no canto: um novelo só,
tão sozinho,
dentro um calafrio,
por que ele não está
e eu estou.
E a cada dia menos certezas
do que foi verdade.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

JOÃO DISSE

João disse "vai". João disse "vem".
João já se foi e eu também.
João disse "corre". João disse "anda".
Quanto mais corro, mais me cansa.
João disse "ama". João disse "vou".
Eu já o amei, nada mudou.
João disse "não". João disse "é".
Perdi a chance, a força e a fé.
João disse "amor". João disse "tem".
João não me deu, e eu fiquei sem.
João disse "vai". João disse "vem".
João não é meu, nem de ninguém.