domingo, 15 de abril de 2012

Na penumbra do corredor, entreouvi por uma fresta de porta a voz duma mulher que, de joelhos, sozinha, balbuciava com o rosto por detrás das mãos o pesar de um mundo inteiro. Cri sentir nessa melodia incompreensível o desespero de umas notas que só uma dor muito antiga faz ressoar. E pensei que talvez nem ela mais compreendesse o que chorava. No oco do que outrora quiçá tenha sido uma vida, essas lágrimas eram todo o seu quinhão, esse que já nem a confiança na proximidade do fim podia minguar. O que lhe restava era somente seguir o caminho. O mais estreito de todos.

3 comentários:

Anónimo disse...

As vezes me pergunto se seus escritos são baseados em cenas do seu dia a dia.

M.Tindo disse...

Às vezes.

Anónimo disse...

01/11/06 não foi um bom dia...