sexta-feira, 19 de outubro de 2012

FILMES

Quando estava triste, assistia o mesmo filme várias e várias vezes, tentando cair num conundro impassível de sensações, pra tentar gravar os sentimentos já sentidos e fugir dos ainda não. Verdade é que ele tinha medo do inédito, do novo, de tudo aquilo que a educação dele tinha ensinado a ter medo, e ele, como bom aluno, tinha aprendido bem. E preferia calar-se quanto a isso, abster-se dessas coisas e fingir que elas não existiam e continuar a vida como se nada fosse diferente.

Mas olhando com atenção, qualquer um podia perceber que ele sonhava (profudamente), e não era bem com aquele mundo que tinham ensinado a ele. De fato, os sonhos sucediam-se na sua cabeça noite e dia (mas mais claramente à noite, claro), sonhos que passavam na mente dele como que projeções de filmes que ele nunca tinha visto, e por isso ele às vezes se perdia em pensamentos no meio das tarefas, sem se dar nem conta, e continuava assim distraído quem sabe por horas. Se alguém dava por isso, podiam perguntar no que ele estava pensando. Mas ele não ia querer responder. Não gostava de mentir, mas dizer a verdade às vezes era difícil.

3 comentários:

Anónimo disse...

Advice of the day: don't be a fucker with this one. Children can break their hearts easily.

Anónimo disse...

Ele não pode evitar, é a sua natureza.

M. disse...

Não entendi nenhum dos dois comentários. Podiam ater-se ao texto?