segunda-feira, 1 de outubro de 2012

NO DIA EM QUE O AMOR

No dia em que o amor me veio, de olhos claros, em forma alada, chegou taciturno, sorrateiro, fingindo que não fosse nada, quando eu quis ter, em outro peito, a alma que a mim me faltava. Foi quando, já avesso a maus amores, cri ter descoberto, enfim, o alívio que me curaria as dores, meu anjo que caiu do céu, assim. Dei-lhe pois minhas últimas flores, deste outono que se anuncia em mim, e, em troca, pedi-lhe que fosse o alento, o presente do meu futuro fim. E eu esperei que, no meu abraço contido, esperei que o meu céu lhe fosse assaz. Mas esqueci que, para um anjo caído, nem toda a terra, nem o céu satisfaz. E o amor zombou, troçou, desfez de mim, que mesmo errando pude ser melhor, não ter medo. Mas, em vez, foi-lhe pouco e, desdenhoso e rude, no dia em que o amor se foi, de palavras rasas, cara virada, disse-me (coisa que ainda dói) que não me diria mais nada, que esperou de mim respeito, — de mim! que esperara com calma, na adoração de cada seu jeito, o dia em que, enfim, me daria suʼalma. E o amor deixou-me assim, mais ferido que nunca antes, mais triste, amargo e ruim.

8 comentários:

Anónimo disse...

Queria que me respondesse, mesmo que não tenha certeza, se hoje já sabes quem sou eu?

Anónimo disse...

Queria falar-te para acabar de vez com isso, mas me falta coragem.

M.Tindo disse...

Por que precisa acabar? :)

Anónimo disse...

Por que é muito triste viver apenas de sonhos.

M.Tindo disse...

Mais triste é viver sem eles.

Anónimo disse...

E o que recomenda que eu faça?

M.Tindo disse...

Viva.

Anónimo disse...

Eu posso fazer isso, fiz isso por muito tempo, mesmo sozinha como sempre fui. Só achei que dessa vez não precisaria ser assim.