segunda-feira, 29 de outubro de 2012

UM PEIXE


Infeliz dele, criatura incompleta, que era a cada dia menos ele mesmo, nutrindo essas esperanças de reencontro consigo, ávido por aprovações, parabéns, obrigados, bem-vindos que nunca chegavam, já nem percebendo a si dentre tantos papéis, obrigações e buscas, todos infrutíferos e estéreis que o seu coração não aguentava, atormentado pelo arrependimento e pela dependência dos tantos agrados que nunca lhe foram correspondidos. Era um peixe de terra firme que relutava em tentar adequar-se dentro d'água e cada vez mais sentia-se a nadar contra a corrente, afogar, corromper, começar a temer nem sequer reconhecer-se quando (e se) se encontrasse.

2 comentários:

Anónimo disse...

Pobre desse peixe, que luta tanto por aprovação. Partilho do seu fardo nobre amigo.

A.

M.Tindo disse...

Quem dera ser um peixe...