sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Fim de mundo, fim do mundo. Findo imundo. Findo mudo. Fino em tudo. Fim. De tudo.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

MEU BISTROT PREFERIDO

Meu bistrot preferido, algures lá no Céu,
acolhe-me, por vezes, no jardim do bom Deus.
É um lugar tranquilo, em que me ocorre beber
em companhia dos que me populam o ser.
Em dia que me vague a alma, ou em noite que me deprima,
vou me consolar junto a artistas de rima.
Seco um copo ou dois, falando de pintura,
De amor, de música e de literatura.
Meu bistrot preferido, algures lá no Alto,
eu juro, e me desculpo, se de fêmeas é falto;
mas os amigos que o assombram de dor
sabem tanto que elas bem o que é o amor,
e vivem tanto mais, em memória e engenho,
que a maioria dos contemporâneos que tenho.
E se amanhã a gadanheira me tomar pela mão,
que ela me conduza ao bistrot dos irmãos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012


Ela me enfeitiçou: cabeça corpo e só. A cigana reduziu-me a pó.
Minha bússola perdi, desviei-me do norte. Nesses meandros, arrisquei a morte.
Enebriou-me ela e um erro eu fiz; mas a estroina só o meu ouro quis.
A bruxa me enganou, provou-se vil e má, mas já em breve se imolará.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

DE REPENTE

     De repente, tudo passou. Menos os suores frios que acabaram de chegar em seu corpo amedrontado e inerte. Seja lá o que for que esteve por lá, já havia partido. E o sono, que sempre esteve atrasado pra chegar e que, às vezes, nem chegava, estava vindo e abrandando os furores, acalmando o espírito e fazendo-o, por algumas horas, sentir-se como quem estava em um reino de paz, em um vale verde, em águas calmas e cristalinas, em um abrigo seguro e intransponível.

     Mesmo assim, ele não sonhou durante a noite, só sentiu. Sentiu como algo nunca antes sentido, como a mais agradável experiência de uma vida atormentada e pesada, sem coragem e sem verve. Provou da calmaria depois de uma longa tempestade de vinte e poucos anos e uns quebrados. Foi a noite mais bem dormida da História da Humanidade, foi a paz mais duradoura de uma vida de lutas. Foi o momento de glória mais completo que ele jamais havia imaginado; êxtase quase infinito. Liberdade.

     E o sol nasceu. Alguns minutos depois ele acordava novamente. Dessa vez, sentia como se estivesse novo, como se pudesse vencer qualquer obstáculo e transpor qualquer barreira; e foi assim que ele saiu de casa nesse dia: tranquilo e calmo, forte e confiante pela primeira vez em tanto tempo que ele nem se lembrava de nada mais daquilo, nem da confiança, nem da força, nem de nada similar.