quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

DE REPENTE

     De repente, tudo passou. Menos os suores frios que acabaram de chegar em seu corpo amedrontado e inerte. Seja lá o que for que esteve por lá, já havia partido. E o sono, que sempre esteve atrasado pra chegar e que, às vezes, nem chegava, estava vindo e abrandando os furores, acalmando o espírito e fazendo-o, por algumas horas, sentir-se como quem estava em um reino de paz, em um vale verde, em águas calmas e cristalinas, em um abrigo seguro e intransponível.

     Mesmo assim, ele não sonhou durante a noite, só sentiu. Sentiu como algo nunca antes sentido, como a mais agradável experiência de uma vida atormentada e pesada, sem coragem e sem verve. Provou da calmaria depois de uma longa tempestade de vinte e poucos anos e uns quebrados. Foi a noite mais bem dormida da História da Humanidade, foi a paz mais duradoura de uma vida de lutas. Foi o momento de glória mais completo que ele jamais havia imaginado; êxtase quase infinito. Liberdade.

     E o sol nasceu. Alguns minutos depois ele acordava novamente. Dessa vez, sentia como se estivesse novo, como se pudesse vencer qualquer obstáculo e transpor qualquer barreira; e foi assim que ele saiu de casa nesse dia: tranquilo e calmo, forte e confiante pela primeira vez em tanto tempo que ele nem se lembrava de nada mais daquilo, nem da confiança, nem da força, nem de nada similar.

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