terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dois homens que têm um segredo em comum, e que, por um gênero de acordo tácito, não trocam uma palavra acerca dele, isso é menos raro do que se pensa.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

AQUELE BEIJO

Quando aquele beijo aconteceu, não acreditei que pudesse acontecer. Nem que estivesse a acontecer. Aquele beijo tão inesperado foi um sonho de longa data do qual ainda não me apercebera ter sonhado. Aquele beijo ofereceu-se sem reservas, sem limites, sem pudores. Aquele beijo sintetizou tudo em um momento único que sempre pareceu distante e que subitamente se fez perto. Aquele beijo foi a primeira expressão de amor genuíno em muitos anos. Aquele beijo foi um universo à parte, uma realidade desconhecida, um lampejo do paraíso que não cria existir. Aquele beijo despertou tudo, desejou tudo, absorveu tudo, consumiu tudo. Aquele beijo içou velas, fez-se ao mar, e partiu. Aquele beijo penou a saudade de uma época que nunca houve. Aquele beijo doeu toda a ausência de uma vida.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A quem acusar?
A ninguém, e a todos.
Os tempos incompletos em que vivemos.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

EM PAZ

Nenhuma dureza que haja poderia desconcentrar-me, nem mesmo as memórias das tristezas, porque não há mais razões para isso. Está tudo aqui: um emaranhado de coisas velhas e novas. Tesouros em monturos. Não sei mais a distinção. Causas desconhecidas inclinam-me a uma silente reflexão que não alcança objetivos. Se me escureço como faço, perco o rumo e desando. Mas não temo o futuro, tão incógnito como jamais foi. Afundo nesse presente, excentricamente diluído, destoo de minha dança, e descanso em paz.