domingo, 17 de fevereiro de 2013

AQUELE BEIJO

Quando aquele beijo aconteceu, não acreditei que pudesse acontecer. Nem que estivesse a acontecer. Aquele beijo tão inesperado foi um sonho de longa data do qual ainda não me apercebera ter sonhado. Aquele beijo ofereceu-se sem reservas, sem limites, sem pudores. Aquele beijo sintetizou tudo em um momento único que sempre pareceu distante e que subitamente se fez perto. Aquele beijo foi a primeira expressão de amor genuíno em muitos anos. Aquele beijo foi um universo à parte, uma realidade desconhecida, um lampejo do paraíso que não cria existir. Aquele beijo despertou tudo, desejou tudo, absorveu tudo, consumiu tudo. Aquele beijo içou velas, fez-se ao mar, e partiu. Aquele beijo penou a saudade de uma época que nunca houve. Aquele beijo doeu toda a ausência de uma vida.

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