sábado, 13 de abril de 2013

OUTRA VEZ

— Primeira
vista e pronto:
ela é perfeita,
é essa aí.

— Lindo,
como num filme:
todas as falas
que eu quis ouvir.

— Depois,
quase perfeito,
inda somos dois e
um só coração.

— Paixão
dentro do peito —
tem seu defeito,
mas o que não?

— Noite. Há
planos prum filme.
Chamas, cancelas:
dançam donzelas.

— E, então,
os piqueniques
tornam-se futebol:
meninos e meninices.

Passam
meses, e as coisas
não são o que eram.
Nada é pra sempre

— Tarde
a casa chegando,
teus olhos de anjo
acusam-me: culpa.

— Segues-me
escondido.
Estamos morrendo:
ciúme é cancro.

Tu nunca tens tempo ou espaço pra me ver...

— Ah, dá um tempo, eu quero espaço pra viver!

— Não posso crer nas coisas que estás a dizer!

Tu não o dirias, se tivesses o amor que dizes ter.

— Ah, não...
As rosas que te dei
já nos fenecem —
com o nosso amor.

Foi-se.
Os créditos sobem,
lágrimas descem,
cortinas caem.

E chega o fim.
E é tão ruim.

3 comentários:

Anónimo disse...

Belas rimas. Triste fim.

M.Tindo disse...

Sempre é triste o fim.

Inglês turbinado disse...

O fim é triste mas é o começo de algo novo , gostei dessa poesia.

Vitória