quinta-feira, 23 de maio de 2013

LAVA

Lava
      A minha memória suja nesse rio de lama.
      Lambe-a de mim, a lava que se derrama,
      E não deixes testemunho mudo
      De tudo
      Que me intriga
      E me fadiga.

Expulsa,
      Caça-a em mim, a predadora vil.
      E quando a tiveres na mira do fuzil,
      Não a escutes se te implorar:
      Sabes já
      Que ela deve morrer uma úlima morte.
      Não te importes.
      Mata-a.

Chora.
      Já o fiz antes, de nada me serviu:
      O pranto não apaga o mal que o olho viu.
      Eu tentei, eu tentei.
      Mas sei
      Do meu coração seco e da minh'alma estéril,
      E, sério,
      Irrompo.

Queima.
      Queimas quando te afundares no meu leito em riste.
      A minha cama derrete num calor sem entrave:
      E mais nada é triste,
      E mais nada é grave,
      Se tenho
      O teu corpo como uma torrente de lava:
      Minha memória suja no teu rio se lava.

1 comentário:

Andreia Rocha disse...

Ena, tão bonito, tão sentido, tão bom +.+ Adorei.