quinta-feira, 2 de maio de 2013

ONÍRICO Nº 3

É que acordar é triste, mas dormir é pena. E a vida insiste — e a ela ninguém ensina — que já não há estrelas no céu nem luzes no horizonte: o escuro é acima um véu que, mais que eu, sabe onde nada se acaba, até que se morra por sóis inatos sempre distantes e um pouco antes que se avance sem que se mova. A noite é longa e a chuva fria, e a luz que falta a dor incita. A manhã tarda, por mais que tente, e o mundo... esse nem se ressente.

Ficar nunca é fácil e ir-se embora custa: o relógio é muito ágil e o tempo não muito dura. E guardar de si não dá quando se é a si mesmo, e só se é o que o destino mandar — sem nem mandar ler o texto. Mas nada acaba, até que se morra, que o sol renasça sempre distante e um pouco antes que se avance sem que se mova. A noite passa e a chuva estia, e a luz já raia, e é logo dia: o calor seca e enxuga a mente. E tudo será diferente.

2 comentários:

Anónimo disse...

...até que anoiteça de novo.

M.Tindo disse...

Sempre anoitece. Mas sempre amanhece depois.