sábado, 29 de junho de 2013

DOS ESPELHOS

Minhas joias! Como me deixais bela! O que Salomão cantaria se tivesse visto isso? Podia pendurá-las nos mamilos, mas escandalizaria as crianças. Onde está o meu espelho? Não. Não consigo olhar... Viraria uma estátua de sal! Derrotada novamente: estou acabada desta vez. Mas da próxima vez, eu o apanho. Mal posso esperar. Ah, minhas joias! Estais aí! Meu consolo e companhia. Estamos presas por mais um ano. Por mais quatro estações. Que desolação! O trabalho de uma vida! É o século XXI e ainda somos uns bárbaros! E como deixamos isso claro! Nós somos os motivos de guerra: não é o poder histórico, nem os tempos, nem a justiça ou a falta dela, nem causas, nem religiões, nem tipos de governo, ou qualquer outra coisa. Somos nós os assassinos. Nós geramos a guerra. Carregamo-la como sífilis nas entranhas. Os mortos apodrecem nos campos quando os vivos já estão podres. Pelo amor de Deus, não podemos amar-nos uns aos outros? Só um pouco? É assim que a paz começa. Temos tantos motivos para nos amar! Temos tantas possibilidades... Podemos mudar o mundo! Acredita nisso. O mundo é o espelho de nós. Onde está o meu espelho? Poderei olhar? Ah, sim. Eu posso olhar para qualquer coisa. Vejamos... Meu Deus! Que menina linda. Como o seu rei foi capaz de deixá-la?

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