quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

LEVO / LEVE

Levo no peito a dor de que podíamos ter sido felizes. E, mais ainda, levo a dor de que não precisávamos acabar em tanto ódio. Levei tempo, mas hoje, com a lucidez da retrospeção, vejo que não era a ti que eu insultava: eu insultava a própria frustração que eu levava. Eu queria atingir a minha perda de esperanças, das quais eu te tinha feito a última e, quando falhaste, tudo falhou. Mais importante ainda: eu falhei. Falhei porque levei o meu sentimento a nublar o meu julgamento. Falhei em não ver que eras só uma criança mimada que nunca poderia oferecer o que eu buscava. Falhei em não ter paciência para te esperar crescer. Falhei em levar no peito a esperança que se converteu em dor. E, hoje, levo a dor de ter no peito a culpa de ter perpetuado o mal com que outrora fui vitimado. Nunca te quis ferir, nunca me quis ferir. Então, na tentativa de buscar estar mais leve, peço que leves a minha culpa. Peço-te perdão. A ti, ao mundo, a mim, a Deus. Adeus. E talvez assim, levemos adiante, talvez assim um pouco mais leves.

4 comentários:

Anónimo disse...

Fiquemos leves! Leves para que o acaso um dia nos leve a cruzarmos novamente nossos caminhos. Nem que seja para de fato nos perdoarmos, já que a coragem nos impede que hoje assim o façamos. Então, por ora, não deixe o peso do teu "adeus" pesar mais uma vez sobre meu coração. Caso haja um, que esse já não seja tão pesado de culpa ou carregado de tantos sentimentos feridos. Que seja a resignação de meus desejos, a emancipação de minha mente, a libertação de uma alma que no fim das contas tem sido mais sua do que minha. Que seja leve, que nos deixe leves, em paz.

M.Tindo disse...

Obrigado. Já não esperava que ainda estivesses aqui.

Anónimo disse...

... nunca consegui não estar. e não creio que isso mude.

Calebe disse...

Nunca foi difícil dizer o quanto eu te amo, se precisasse gritar eu não me importaria.
Talvez o complicado seja mesmo pôr todos estes versos em harmonia.

Mas pra ti não há nada que eu não faça com alegria.
Afinal sem ti nada pra mim existiria.

Eu muito menos me arriscaria...
Nesta humilde poesia.