sexta-feira, 29 de agosto de 2014

AS ALMAS E OS VARÕES

Eu canto as armas e a força
que primeiro às bocas o sangue trouxeram,
de asco e de pranto ao fim almejado,
e de pós e de vícios solução não deram
à pouca esperança do intento ousado.

Eu canso das almas e dos males
que, primando por vivos e bens, um escravo
com fortes correntes e remorso laçaram
cujo espírito outrora intrépido e bravo,
agora perdido, à prata compraram.

Eu canho as calmas e os mares
que primeiro à praias de Alba levaram
do fado fugido um menino assombrado
encontrar e deixar o seu passado futuro,
escrever e apagar o seu futuro passado.

Eu conto as camas e os vícios
de que, a elas estranho, um homem se ergueu
perguntando-se se deles escaparia ao terror,
de si nada restando, já que tanto se deu 
e se cabe em divinos peitos tanta dor.