segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Assim, ele foi perdendo contato com tudo e todos, primeiro com os colegas a quem sorria, depois com os amigos com quem sorria, e por fim com a família que já não lhe sorria. E os dias foram passando (com as suas devidas noites em claro, no escuro), e ele mal dormia, mal comia, mal vivia, mal sonhava. Estava cada vez mais sozinho e com mais medo. Tinha perdido a noção de tempo há alguns dias, ou talvez fosse mais, já que dia e noite indiferiam pra ele, tanto como as pessoas. E ele atravessava esses dias e essas noites trancado no quarto, assistindo em silêncio aos mesmos filmes que antes costumava assistir no sofá, e mergulhando nos mesmos pensamentos que sempre o atormentaram, mas agora sem conseguir mais cair naquelas sensações de outrora em que procurava cair pra dissolver os medos, porque estes eram da mesma estranheza que agora tomava conta dele, crescendo das suas costas, acrescendo mais um peso ao fardo já tão duro que ele trazia.

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