segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

SOBRE MEMÓRIAS FUTURAS

Vou lembrar ainda que te esqueças, e quererei quando desistires, e ligarei se não me atenderes, e hei de casar contigo porque nunca te pedi a mão, e quando não posares mais, é então que te farei o retrato. Porque faz mal buscar: é melhor deixar o acaso encontrar o jeito que lhe aprouver  porque, no fim, é o que ele há de fazer. Somos filhos de mundos distintos, de memória que se apaga e se redesenha distraidamente da mesma forma. E a vida te há de levar, e a morte a mim, e os dias, um dia, serão anos. E depois de te esqueceres, qualquer coisinha te lembrará, e doerá, e assim é que terá valido a pena. Porque o maior sonho é sempre a sombra do maior pesadelo. Porque dor e júbilo sempre tiveram o mesmo sabor para nós dois.

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