terça-feira, 16 de junho de 2015

O MUNDO NAS COSTAS

Outrora, havia trutas de arroio nos regatos das montanhas. Dava pra vê-las paradas na correnteza ambarina, onde as bordas brancas das barbatanas se destoucavam brandamente no fluxo. Cheiravam a musgo na mão. Reluzentes, musculosas e envergantes. Nas costas, havia padrões vermiculares que eram mapas-múndi em formação. Mapas e labirintos. De algo que não dava pra restituir. Que não dava pra ajeitar mais. Nas azinhagas profundas em que viviam, tudo era mais antigo que o homem, e sussurrava mistério.